13 de julho de 2012

Resenha: Ensaio Sobre a Cegueira


 Ensaio sobre a cegueira é sem dúvida um dos livros mais fantásticos da atualidade, não só pela sua estética, estilo, mas também pelo teor temático que o livro em si carrega. Quando você começa a ler Saramago você mergulha não só numa atmosfera ficcional incrível como também passa a refletir em seus próprios conceitos, pressupostos, ideologias. Ensaio Sobre a Cegueira é uma olhar filosófico sobre o ser humano. Mas vamos ao resumo do livro antes de mais adjetivações.

 O livro começa com um homem que está no trânsito e se desespera por do nada estar  com a cegueira branca. Um outro homem se oferece para acudi-lo, mas na verdade este  tem um só objetivo: assaltá-lo. Depois de realizado o objetivo o assaltante foge e quando menos percebe também passa a possuir a treva branca. Depois de todo esse problema a esposa do primeiro homem a ser infectado  levá-o para o médico, este passa uns exames e depois o dispensa-o. Consternado com esta nova "epidemia" relata a sua esposa e quando menos percebe passa a ter a cegueira branca. Com o perpassar do livro todos da população, sociedade, exceto a esposa do médico (que por sinal ajuda os infectados), passam a possuir a cegueira branca. E então o caos se instala sobre a sociedade.

 A principio, quando estava pronto para mergulhar na leitura, fiquei com um certo receio, por causa do estilo do texto (romanesco) que até então não tinha tido nenhum tipo de experiência, mas depois que mergulhei, encantei-me e não conseguia mais para de ler. É interessante observar que todo o livro se resume na própria epígrafe "Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara".

O reparar não consiste somente aos conceitos que  norteiam nossa prática cidadã mas para o outro; se observarmos bem, notaremos que todos os personagem antes de serem obrigado a conviver uns com os outros, já tinham se esbarrado antes ,mas, delimitaram-se simplesmente ao olhar e não ao reparar. Outro aspecto que não podeira deixar de falar, é sobre essa treva branca, que segundo a visão deste blogueiro, consiste na incapacidade dos indivíduos de experimentarem outras filosofias, culturas. Essa treva branca impede o ser de adentrar em  novos ares,j á que estes acreditam que sabem de tudo ou  o correto e errado. Em suma, essa cegueira branca consiste na incapacidade de novas percepções filosóficas.

É impossível não relacionar este livro com o mito da caverna de Platão, que também apresenta a mesma reflexão sobre a natureza humana enquanto busca do conhecimento, novos ares, mundos.

E claro né, não poderia deixar de falar da mulher do médico, que como foi dito acima, foi a única que não se infectou desta nova epidemia. Como assim? Por que todos da população foram e ela não? Rsrs, é de impressionar como Saramago representou de maneira única a realidade através da arte. A mulher do médico representa dentro da obra, os lúcidos, ou seja, apesar da sociedade atual estar com a treva branca, existe uma minoria, mas existem aqueles que ainda são lúcidos, que buscam novas culturas, que reparam os outros individuos.

 Em suma meus caros, Ensaio sobre a cegueira é muito mais que um livro filsófico mas é também um reflexo real do interior do ser-humano, não só enquanto aos alicerces, ideologias, princípios, mas do olhar que o individuo tem sobre o outro. Leitura super recomendada.

"Tão longe estamos do mundo que não tarda que comecemos a não saber quem somos."

"Uma coisa que não tem nome.Essa é a coisa que somos."

 "Se podes olhar,vê.Se podes ver,repara."









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Meu nome é Carissa Vieira, tenho 25 anos e sou de Recife. Adoro cinema e literatura. Sou autora do livro Andanças, lançado no final de 2012.

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